quinta-feira, 31 de julho de 2014

CRISE NO FUTEBOL BRASILEIRO

Ao ser derrotada pela seleção alemã, jogando em casa, pelo extravagante placar de 7 X 1, a seleção brasileira, não só nos impingiu uma vergonha inédita (nunca um anfitrião de copa do mundo havia tomado uma goleada tão expressiva), como fez chegar até nós o retrato do nosso decadente futebol. Clubes endividados, gestão incompetente, televisão direcionando tabelas à mercê das suas conveniências, são algumas das anomalias desse esporte que se profissionalizou ao redor do mundo e no nosso país, marcha para a derrocada. E são tantos os fatores que nos empurram para este abismo, que se tornaria cansativo enumerá-los. Alguns pontos, no entanto, podemos citar.

LEI PELÉ – Criou um monstro para intermediar os negócios com os clubes. O empresário, que não investe em estrutura de formação de atletas, mas, detém os direitos de todos os craques que surgem, deixando os clubes mais e mais empobrecidos.

COTAS DE TELEVISÃO – A televisão detém o comando do campeonato mais importante do país, e remunera de forma absurdamente desigual os clubes que o disputam. São cotas que variam em proporções tão distintas, que alguns menos aquinhoados, chegam a receber em um ano, praticamente o que os da cabeça recebem em um mês. O dinheiro jorra fácil para uns e minguado para outros.

FORMAÇÃO DE NOVOS VALORES – São poucos os clubes que se preocupam na formação e descoberta de novos valores. Os que são aquinhoados com valores vultosos pelas cotas da televisão, findam tendo condições de contratar grandes jogadores e não se interessam em revelar valores. Os menos favorecidos não dispõem de recursos para formar times e competir com os grandes, e não lhes sobra recursos para investimento nas categorias de base, e se mantêm em nível de desigualdade.

CONFEDERAÇÃO – O órgão que administra o futebol no Brasil, usa a seleção brasileira para arrecadar com marketing e amistosos, esquecendo qualquer compromisso com a manutenção dos clubes, a célula mais importante do futebol. Arrecada milhões e trata de administrá-los ao seu modo interno, nem sempre transparente.

DÍVIDAS DOS CLUBES – Sem obrigação de responsabilidade, dirigentes gastam sempre bem mais que arrecadam sem que tenham responsabilidades futuras para com os compromissos assumidos em suas gestões.

O jornal ESTADÃO, de São Paulo, publicou o ranking dos maiores devedores de tributos federais e as somas são assustadores. Os vinte maiores devedores somam R$ 2.668 bilhões. A lista é encabeçada pelo Flamengo que deve R$ 386,4 milhões, passa por todos os grandes clubes do país e encontra em 20º lugar, a Ponte Preta que deve R$ 18,8 milhões só de impostos. Se adicionarmos as demais formas de dívidas desses vinte clubes, ou seja, somando os passivos dos vinte maiores clubes do país, chegaremos à estratosférica soma de R$ 5.602 bilhões.



Abaixo, reproduzimos o quadro com o ranking dos maiores devedores de tributos federais do Brasil.


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